OS PRODUTORES

Quinta da Palmirinha

Vinhos Verdes

O Produtor
Fernando Paiva achou que uma vida dedicada ao ensino (foi professor de História) não bastou para a sua autorrealização, então, depois de se reformar, decidiu cuidar das vinhas da família, na Lixa, entre Felgueiras e Amarante. É verdade que tinha 55 anos quando se reformou, e 55 anos é uma idade precoce para se terminar o que quer que seja, mas hoje, com 77 anos redondinhos, mantém a energia que o levou a arregaçar as mangas e lavrar a terra. Faz questão de dizer que é “filho, neto, trineto e tetraneto de agricultores”. Por mais inovador que seja (e é, já lá vamos…) o Fernando gosta sempre de sublinhar que não está a inventar nada de novo.

O seu grande amor é a viticultura, o trabalho agrícola dos 11 meses que precedem à vindima. Quando tomou conta dos 3ha de vinha da família, não pensou imediatamente em fazer vinho. Converteu a vinha à agricultura biológica e, durante alguns anos, estas uvas imaculadas tiveram como destino a produção de sumo de uva, ou mesmo as adegas cooperativas locais. O Fernando conhece bem a terra, o clima, e o solo da sua região, está ciente dos perigos que uma região húmida - como a dos Vinhos Verdes - enfrenta do que diz respeito ao desenvolvimento de fungos e à contração de doenças da vinha; contudo, não só decidiu continuar a trabalhar em biológico, como passou a fazer o seu próprio vinho numa adega minimalista pensada para produzir sumo de uva. Em 2007, foi o primeiro produtor a obter a certificação Demeter em Portugal. Usa aquelas que considera serem as práticas mais racionais do biodinâmica, as que lhe parecem mais ajustadas à realidade da sua região. Os preparados 500 e 501, assim como o calendário lunar biodinâmico que lhe serve de bússola na realização de certos trabalhos (enxertia, vindima, e mesmo o engarrafamento).

Um dia ouviu na rádio uma professora do Instituto Politécnico de Bragança (IPG) que garantia que a flor de castanheiro tinha propriedades antioxidantes. Rapidamente iniciou contactos com o IPG, e desde 2015 tem feito testes em pequenas quantidades de vinho, para perceber se a flor de castanheiro é ou não um substituto eficiente dos sulfitos. Confirmou a sua hipótese e atualmente não adiciona sulfitos aos vinhos. A única proteção que estes têm é a flor de castanheiro triturada, que é integrada no mosto durante a fermentação.

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